Grão a grão, areias de ideias e motivações, empurradas pelos ventos da memória, vão deixando mensagens intemporais... Troca de informação sobre o que se passa (e nos interessa) no campo da ciência, cultura e artes.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Selos e 25 de Abril...
Os CTT-Correios de Portugal anunciaram o lançamento de uma emissão filatélica comemorativa dos 40 anos da Revolução
do 25 de Abril de 1974, e do livro “25 de Abril, 40 anos”, de António Costa
Pinto.
A emissão filatélica “revisita as fotografias de Eduardo
Gageiro e Henri Bureau”, afirmam em comunicado os CTT, referindo que é composta
por dois selos e um bloco filatélico. Os selos têm um formato de 40 mmX30,6mm.
"A imagem de Salgueiro Maia junto à praça do Comércio", no
momento em que o Regimento de Cavalaria 7 adere à Revolução, uma das mais
icónicas do 25 de Abril, foi a fotografia escolhida para o primeiro destes
selos. O segundo selo, destinado ao correio internacional, mostra “numa fotografia de Henri Bureau, uma
chaimite nos Restauradores rodeada pela população”.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Sassetti, Laginha e Grândolas...
"Abril a Quatro Mãos -- Grândolas", disco
de Laginha e Sassetti, regressa dez anos depois.
O
álbum reúne interpretações, pelos dois músicos, em piano a quatro mãos, de
canções diretamente relacionadas com a revolução, como "Grândola, vila
morena", e movimentos sociopolíticos da época, e resulta de um desafio do
musicólogo Ruben de Carvalho, nos 30 anos do 25 de Abril.
A
edição discográfica é acompanhada pelo texto da entrevista dada pelos dois
pianistas, em maio de 2004, ao Diário de Notícias, na qual salientam o espírito
de liberdade com que gravaram, permitindo que todos os temas fossem
"rearranjados" pelos músicos.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
na FCSH-UNL um grande mural...
"Graffiters" criam mural
dedicado à revolução de Abril
Mural na Avenida de Berna, em
Lisboa, evoca os principais símbolos da Revolução dos Cravos, numa abordagem
contemporânea feita por quatro artistas da plataforma Underdogs.
Na parede branca onde em tempos
houve rabiscos, estão agora desenhados os ícones de Abril. O retrato de
Salgueiro Maia é a peça central do mural que foi ganhando vida nos últimos dias
no exterior da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade
Nova de Lisboa. É como se o capitão voltasse à rua, 40 anos depois, através do
olhar de quatro jovens artistas de rua.
Não há quem passe pela Avenida de
Berna sem olhar para os grafitti que ocupam 15 metros de muro, com as
cores da bandeira portuguesa a sobressaírem num fundo negro. No meio, o olhar
firme de Salgueiro Maia – eternizado numa das mais conhecidas fotografias de 25
de Abril de 1974, tirada pelo fotojornalista Alfredo Cunha – prende a atenção.
De boina militar na cabeça e farda vestida, parece estar novamente pronto para
a luta.
Obg JC (Público) making off
http://www.publico.pt/cultura/noticia/graffiters-criam-mural-dedicado-a-revolucao-de-abril-1632047
domingo, 13 de abril de 2014
Com aroma de Abril...
CANTATA
DA PAZ
Sophia
de Mello Breyner Andresen
(CD - Canções
Com Aroma de Abril, Strauss, 1994)
Vemos, ouvimos e lemos
Não
podemos ignorar
Vemos,
ouvimos e lemos
Relatórios
da fome
O
caminho da injustiça
A
linguagem do terror
A
bomba de Hiroshima
Vergonha
de nós todos
Reduziu
a cinzas
A
carne das crianças
D'África
e Vietname
Sobe
a lamentação
Dos
povos destruídos
Dos
povos destroçados
Nada
pode apagar
O
concerto dos gritos
O
nosso tempo é
... Pecado
organizado
sábado, 12 de abril de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
25 de abril agora... o que se diz...
Quarenta anos depois
do 25 de Abril, que televisão temos? E que televisão não temos? — este texto
foi publicado no Diário de Notícias (8 Abril), com o título 'Qual é o 25
de Abril televisivo?'. João Lopes
Consulto
o programa de Abril da Cinemateca Portuguesa. O ciclo “25 de Abril, Sempre” é o
acontecimento dominante, com uma primeira parte designada “O Movimento das
Coisas”, dedicada “ao cinema documental feito em Portugal nos
primeiros anos da revolução” (a segunda parte, “sobre a memória da revolução”,
está agendada para o mês de Maio). O ciclo abre e fecha com dois títulos do
mesmo cineasta, Alberto Seixas Santos, Brandos Costumes (1975) e Gestos
& Fragmentos (1982), uma curiosidade que envolve um inevitável valor sintomático
— Seixas Santos é um dos exemplos mais extremos, e também mais fascinantes, de
um autor que arriscou experimentar os mais diversos registos narrativos, do
documentário ao melodrama, para lidar com os temas, assombramentos e silêncios
do nosso labirinto histórico.
Dito
isto, importará lançar uma dúvida metódica que transcende o (notável) trabalho
de sistematização de memórias desenvolvido pela Cinemateca. Dúvida dialéctica,
poderemos dizer, se a palavra não ofender as sensibilidades de uma direita
receosa de lidar com o seu próprio passado e de uma esquerda cada vez mais
pueril, crente de que a invocação automática da “revolução” a dispensa de
pensar o contraste entre as memórias que apregoa e o presente em que vivemos.
O
presente, justamente. Quarenta anos depois dos eventos transformadores de 1974,
onde está a vontade política de pensar a situação do audiovisual português e,
muito em particular, a degradação de padrões de comunicação que tomou conta de
importantes sectores do espaço televisivo? Importa, creio eu, relançar a
pergunta já clássica — “foi para isto que se fez o 25 de Abril?” — e enfrentar
algumas perplexidades. Por exemplo: será que o 25 de Abril se fez para
massacrar o povo com os horrores do Big Brother e da “reality TV”,
favorecendo uma visão instrumental, desumanizada e pornográfica das relações
humanas? Ou ainda: será que alguma ideia gerada pelo 25 de Abril implicava que
a telenovela triunfasse, nas narrativas e na gestão financeira, como padrão
dominante da ficção audiovisual?
Já
nem se trata de relançar a estafada discussão sobre o “serviço público”
televisivo que, perversamente, foi sendo esvaziada de qualquer significado
operante. E também não se pretende sugerir, de modo algum, que estaríamos no
melhor dos mundos se alguns valores comunicacionais fossem coercivamente
impostos (embora houvesse fundamento legal para o fazer). O que importa
revalorizar é, afinal, um princípio inerente à sensibilidade do 25 de Abril. A
saber: a urgência, não apenas de cultivar as memórias, mas também de perguntar
que futuro social estamos a construir através do presente televisivo que
vivemos e, de algum modo, praticamos. Isto porque, salvo melhor opinião, o
espaço televisivo não é um espelho neutro de coisa nenhuma, mas um agente
activo e, sobretudo, omnipresente da vida social.
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