sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

… ultrapassado…


no nimas...

Numa altura em que os cinemas de Lisboa desaparecem (Quarteto, King, Londres…)…
Saudemos o cinema NIMAS que repensou a sua progamação, permitindo qualidade e diferença!

Ingmar Bergman - Ciclo

Hiroshima meu Amor - Alain Resnais
(lembrar Emmanuel Rivas muitos anos depois em Amour)

E vimos Yasujiro Ozu e Aleksandr Sokurov...
E muito mais vem aí…Stephen Fears, Paolo Sorrentino, Lars Von Trier….
BOM Ano de 2014…
NIMAS… um Óasis na cidade.




segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Quase desconhecido…

Félix Vallotton (1865-1925)
Le feu sous la glace
02 Octobre 2013 - 20 Janvier 201
Grand Palais, Galeries nationales

A propósito da mega exposição apresentada no Grand Palais exposição organizada pelo Musée d’Orsay e com do Van Gogh Museum, Amsterdam, do Mitsubishi Ichigokan Museum, Tokyo et Nikkei Inc e Bibliothèque Nationale de France, Musées d’Art et d’Histoire de Genève Musée Cantonal des beaux-arts de Lausanne.


Vallotton, Suiço/Francês - Uma obra extensa que percorre os grandes movimentos pictóricos da época. Membro do grupo NABIR. Produziu textos (livros e teatro) e grande atividade crítica. A descoberta da Fotografia, levou-o à transposição de imagens captadas para a tela. As mulheres ocuparam muitos dos canvas dentro de óticas muito diferentes. Crítica de costumes representam parte da sua obra usando xilogravura. Uma descoberta.
(na foto Emile Zola)


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

domingo, 24 de novembro de 2013

domingo, 10 de novembro de 2013

… Tennessee Williams… pelo País!

As peças desejadas vão chegar… Artistas Unidos
Dentro e fora da Politécnica

Diz Jorge Silva Melo diz…


Gostei de ler Peter Stein dizer: “nunca quiz ser encenador, queria só ajudar ns atores”. É tal e qual: ajudar uns atores, encontrar teatros, dinheiro, tempo, colegas, roupas, para eles nos darem o que só os atores sabem: lágrimas, risos, suores, no fundo, abraços estreitos durante a noite. Foi assim que nasceu esta vontadede revisitar Tennesee Williams, três peças que saberei a fazer. Pois só isso desejo: ajudar a fazer.

DOCE PÁSSARO DA JUVENTUDE
24 A 26 DE JANEIRO DE 2014

A NOITE DE IGUANA
SETEMBRO 2014

GATA EM TELHADO DE ZINCO QUENTE
FEVEREIRO 2015



Muitos nomes estarão no palco... Maria João luís, João Perry, Marco Delgado, Catarina Wallenstein, Rube Gomes, entre muitos…

Politécnica, TM Joaquim Benite (Almada), Aveiro, .. pelo País.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

… onde a terra acaba e o mar começa...

Foto JM, 2013, Açores

… desafios do Sec XXI

2014
ANO EUROPEU DO CÉREBRO

Fascinante… o grande desafio do sec XXI.
depois do Programa GENOMA HUMANO… 
Projeto HUMAN BRAIN PROJECT
… para sabermos o que os neurónios fazem… 

um projeto ambicioso entre a neurologia, a fisiologia e a bioinformática … 
o desvendar do cérebro …
https://www.humanbrainproject.eu


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

... Açores

Entre os grandes continentes, no meio do Atlântico...
Mais falaremos...
Uma fuga curta.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

... Zimler de novo!


«A Sentinela», de Richard Zimler
Lançamento 4 de outubro, edição Porto Editora

A Sentinela, novo romance de Richard Zimler, que desta vez nos apresenta um policial psicológico, vai chegar às livrarias a 4 de outubro, numa edição Porto Editora, casa que passou a lançar os livros do escrito nascido nos Estados Unidos mais há muito radicado em Portugal. O livro será apresentado em Lisboa por Daniel Sampaio a 8 de outubro, às 18h30, no El Corte Inglés, e a 2 de novembro, às 17h00, no Porto, por Elisa Ferreira, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no âmbito do Porto de Encontro. 
A par de A Sentinela, a Porto Editora reedita ainda O Último Cabalista de Lisboa, romance histórico que lançou internacionalmente Richard Zimler, que vive no Porto desde 1990, onde lecionou na Escola Superior de Jornalismo e na Universidade do Porto.

A Sentinela
«6 de julho de 2012. Henrique Monroe,inspetor-chefe da Polícia Judiciária, é chamado a um luxuoso palacete de Lisboa para investigar o homicídio de Pedro Coutinho, um abastado construtor civil. Depois de interrogar a filha da vítima, Monroe começa a acreditar que Coutinho foi assassinado ao tentar defender a perturbada adolescente do violento assédio sexual de algum amigo da família. Ao mesmo tempo, uma pen que o inspetor descobre escondida na biblioteca da casa contém alguns ficheiros com indícios de que a vítima poderá também ter sido silenciada por um dos políticos implicados na rede de corrupção que o industrial montara para conseguir os seus contratos.
Tendo como pano de fundo o Portugal contemporâneo, um país traído por uma elite política corrupta, que sofre sob o peso dos seus próprios erros históricos, Richard Zimler criou um intrigante policial psicológico, com uma figura central que se debate com os seus demónios pessoais.»

sábado, 21 de setembro de 2013

Outono em Português....




Quando, Lídia, vier o nosso outono
Com o inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa
O amarelo atual que as folhas vivem
E as torna diferentes.
                                                   
Ricardo Reis


Uma névoa de Outono o ar raro vela,

Cores de meia-cor pairam no céu.

O que indistintamente se revela,

Árvores, casas, montes, nada é meu.



Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.

Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.

Mas entre mim e ver há um grande sono.

De sentir é só a janela a que eu assomo.



Amanhã, se estiver um dia igual,

Mas se for outro, porque é amanhã,

Terei outra verdade, universal,

E será como esta [...]

Fernando Pessoa

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

... Cate Blanchett ... jasmin...


(do blog de João Lopes)


Cate Blanchett encontra Woody Allen

Digamos, para simplificar, que Cate Blanchett é uma das maiores actrizes contemporâneas. É bem verdade que as vestes brancas que usou para interpretar Galadriel na trilogia de O Senhor dos Anéis nada significam — um adereço vistoso não é o mesmo que uma actriz (ou um actor) a trabalhar. Mas composições como as deBabel (Alejandro González Iñárritu, 2006), Diário de um Escândalo (Richard Eyre, 2006) ou O Estranho Caso de Benjamin Button (David Fincher, 2008) bastariam para demonstrar, não apenas a versatilidade dos seus recursos, mas sobretudo a capacidade de instilar nas suas personagens um misto de evidência e enigma que nos faz olhá-la como quem contempla as infinitas configurações das ondas do mar — mesmo quando tudo parece repetir-se, nada é igual.
Creio que há três momentos que podem simbolizar o sentido de risco, e também o génio interpretativo, de Blanchett.
O AVIADOR (2004)
O primeiro é, obviamente, a personagem de Katharine Hepburn em O Aviador, de Martin Scorsese. Ao interpretar uma figura lendária de Hollywood, Blanchett confronta-se com a possibilidade de o próprio mito sugar a sua performance, reduzindo-a a uma "ilustração" mais ou menos pueril. Não só tal não acontece, como deparamos com uma Hepburn de singular vulnerabilidade, num efeito que, mais do que desmistificação, funciona como um acréscimo de realismo.
I'M NOT THERE (2007)
O segundo momento está em I'm Not There, de Todd Haynes, onde encontramos Blanchett a interpretar... Bob Dylan! Para além da prodigiosa, mas muito suave, imitação iconográfica, deparamos com uma espécie de exaltação abstracta da figura de Dylan, como se uma personagem fosse menos uma "reprodução" e mais o consumar de um conceito humano que nasce das convulsões da pessoa real.
BLUE JASMINE (2013)
Enfim, temos o fabuloso Blue Jasmine, agora chegado às salas portuguesas. Woody Allen aposta numa reinvenção contemporânea da Blanche DuBois, de Um Eléctrico Chamado Desejo (que, aliás, Blanchett já interpretou em palco), gerando uma das mais admiráveis figuras femininas de toda a sua filmografia — dir-se-ia que a sua perdição física e social funciona também como reflexo perverso da decomposição corrente do mundo financeiro, lembrando-nos que, com mais ou menos máscaras burlescas, Woody Allen nunca deixou de ser um analista contundente do seu/nosso presente.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

... textos curtos... nº2



Molécula de Leitura (MdeL)

DIA 0 / Nunca fui de acreditar muito em coisas como homeopatia, acunpultura, etc… embora reserve sempre estes assuntos para uma gaveta onde guardo os não explicáveis, os desconhecidos, os incompreensíveis… na esperança que um dia ainda lá vou na busca de resolver perguntas perdidas ou necessidades prementes. No outro dia, a juntar à lista, veio, em conversa informal numa quente tarde de verão, a histórias das feromonas humanas. Este é outro assunto que está na tal gaveta, embora saiba que no mundo dos seres vivos (em particular insectos e plantas), as feromonas são moléculas identificadas, de estrutura já conhecida; utilizando diferentes aromas ou mensagens químicas, como meio de comunicação, vários códigos são enviados em geral por via aérea. Tudo tem a ver com receptores e reconhecimento molecular. Mais discutida e menos estudada a suspeita de feromonas humanas. A sua presença parece pairar e quase demonstrada em comunidades fechadas, por exemplo de mulheres, que pelo facto de estarem juntas (mosteiro, colégio) entram numa espécie de bio-ritmo ressonante, como por exemplo, ciclos menstruais.  Uma explicação é que compostos voláteis relacionados com o despoletar do evento são transmitidos e reconhecidos pelas comunidades. Suskind, no livro “O Perfume” fala neles e não é por acaso que o heroí, usando a sua produção sensorial, atrai multidões e é literalmente comido, como que num acto de “amor e atracção”.
De divagação em divagação falámos nos hábitos de leitura, do gostar de ler e não ler, e se por acaso haveria moléculas que poderiam ser reconhecidas e levar a desejos compulsivos de leitura. Numa nota de rodapé, este problema do controlo consciente ou inconsciente de multidões tem o que se lhe diga, e até leva a pensar se os grandes ditadores não teriam conhecimento deste know-how.
Tudo isto ficou a fervilhar…

DIA 1 / Entre a Química e Bioquímica deve haver metodologias a experimentar que possam dar alguma satisfação intellectual ao problema. A Clara Pinto Correia, num conto escrito há anos, aplicava metodologias destas áreas para estudar ficcionalmente a molécula do prazer. O problema é tentador, desafia qualquer um… e se não se tentar nunca se sabe… existem as tais moléculas da leitura (MdeL)? Etapa inicial = procurar compostos voláteis num ambiente fechado em que uma elevada população estivesse a ler. Uma Biblioteca seria um local potencialmente a ser explorado. As MdeL, expiradas pelos leitores/amadores (no sentido de amar ler), deveriam estar no ar ambiente e deveriam transmitir na vizinhança indução de mais hábitos de leitura. Premissa elementar: os métodos experimentais exigem concentrações apreciáveis. Em princípio a ideia seria concentrar o ar ambiente, adsorver os componentes voláteis num suporte próprio e purificar as MdeL. Em etapas intermediárias, em que a ftriagem fosse feita, deveriam permitir ter fracções que o próprio experimentador podia usar (ou num colaborador conveniente, cúmplice e crédulo) e registar se sentia desejo aumentado para o acto de leitura.

DIA 2 / Tentiva de design de um sistema experimental. Um grande saco afunilado com uma sucção colocada no fundo, onde entreposto seria posto um adsorvente (vários materais seriam testados… carvão activado, silica gel, zeolite). Um esquema foi desenhado. (ver esquema que deve ter um ar de Leonardo da Vinci).

DIAS 3 e 4 / Tempo de aquisição e construção do protópito.

DIA 5 / Obtenção de licensa para colocação do captador de MdeL num local duma Biblioteca (muito frequentado) e dissimulado. Todo o sistema foi optimizado para ser silencioso (amortecedores de espuma na base da instalação e uso de um motor/ventilação /sucção adequado).

DIA 6-10 / O sistema usando silica gel esteve a operar em contínuo. O adsorvente foi retirado e colocado num Erlenmeyer fechado em atmosfera inerte. Retirada com uma seringa uma parte do espaço gasoso a inalação do mesmo não produziu efeitos… nem motivações, nem alteração de disposição. A pensar num modo de extrair algum material que possa estar absorvido.

DIA 11 / O material foi dividido em 3 partes e posto em contacto com um solvente aromático, um apolar e um polar (água), tudo em atmofera inerte de azoto. Agitação contínua do sólido na presença dos solventes testados. Centrigugação dos 3 conteúdos para remover o sólido. Evitar respirar o solvente aromático.

DIA 12 / Todos os extractos foram submetidos a técnicas analíticas, de cromatografia e de espectrometria de massa. Não foram detectados compostos.

DIA 13 / Para refletir  e não desistir.

DIA 14 / Repetir todo o processo usando carvão activado. Montagem do sistema.

DIAS 15-20 / Sistema com carvão activado a operar em contínuo.

DIA 21 / Extracções com os 3 sistemas anteriormente descritos.

DIA 22 / Análise química. A cromatografia e a espectrometria de massa detectam um composto de baixo peso molecular no solvente aquoso. Estimulante este resultado. Parece ser um composto único o que vai facilitar a identificação. Transferida uma alíquata da solução aquosa contida em sistema fechado e deixáda aberto ao ar. Nova análise não detecta nenhum composto. Deve ser muito volátil ou sensível ao ar.

DIA 23 / A exitação do momento não deixa descansar.

DIA 24 / Miro e remiro o fraco e a solução aprisionada em atmosfera inerte. Preciso de fazer algo mais para avançar na identificação do composto. A tentação é muito grande. Abrir o frasco e inalar/respirar. O suor escorre pelas fontes. As mãos tremem. Terá algum efeito?… toxicidade, dependência, efeitos colaterais … será apenas um sonho em solução aquosa?

DIA 25 / A situação está a ultrapassar os limites.. não como, não durmo… pergunto se devo patilhar com alguém, correndo o risco de ser considerado pouco credível, louco…
Aquele frasco é uma lâmpada mágica, uma poção mágica… o talvez seja nada.
É impossível… imparável… Vou abrir um pouco o frasco, respirar… abro… tremo… Inspiro num grande amplexo…

DIAS XX / Não sei quantos dias se passaram. Entrei num estado de sonulência, semi-consciência, letargia!
Devo ter acordado entretanto… agora, ontem, há quanto tempo?
Estou magro e esfomeado. À minha volta a sala parece ter sofrido um turbilhão. Os livros estão fora das estantes… ahhhh… Tenho estado a ler, estou a ler, quero ler, não posso parar de ler… queridos autores… companheiros generosos, tanto saber, tanta informação, tanto desafio A leitura parece facilitada, meus olhos são leitores quase digitais, metamorfoses adaptadas a este novo estado. Estou feliz, meus receptores estão saturados por essa molécula que se adsorveu no carvão activado... não quero saber o que é… sei que existe e me fez ultrapassar e viver um estado espiritual diferente… nem sei porque estou a escrever?
O que quero é ler, ler, ler…